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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Forbes: A iminente guerra de classes

CRISE GLOBAL | A iminente guerra de classes

Os distúrbios que atingiram Londres e outras cidades inglesas na semana passada têm potencial para ir além das Ilhas Britânicas. A fúria de classes não é exclusiva da Inglaterra; na verdade, representa parcela de um crescente abismo mundial entre classes que ameaça enfraquecer o próprio capitalismo.

O enrijecimento das divisões de classe vem ocorrendo há uma geração, inicialmente no Ocidente mas cada vez mais em países onde o desenvolvimento está acelerado, como a China. O aumento do fosso entre as classes radica-se na globalização, que tem tirado empregos do proletariado e agora também da classe média; na tecnologia, que permite aos indivíduos e companhias mais ligeiros e ricos mudar de operações em grande velocidade para qualquer local; e a secularização da sociedade, que minou os valores tradicionais sobre trabalho e família que serviram de fundamento ao capitalismo de base desde os seus primórdios.

Todos estes fatores podem ser observados nos motins da Grã-Bretanha. Raça e relações policiais tiveram seu papel nos episódios, mas entre os motineiros havia muito mais do que minorias ou gângsters. Como apontou o historiador britânico James Heartfield, os participantes dos distúrbios espelham uma falha mais ampla no “sistema social” do país, especialmente no “sistema de trabalho e recompensa”.

Nas primeiras décadas do século 20, jovens das classes menos favorecidas poderiam aspirar a empregos na vibrante economia industrial do Reino Unido e, mais tarde, no crescente setor público, financiado, em grande medida, tanto pelos lucros da City [centro financeiro de Londres] quanto pelo crédito. Hoje, o setor industrial é uma sombra do que foi. A crise financeira global enfraqueceu o crédito e a capacidade do governo de bancar o Estado de Bem-Estar Social.

Com menos oportunidade de trabalho que tenha sentido e valha a pena — particularmente no setor privado — as perspectivas de sucesso das classes trabalhadoras foram reduzidas a carreiras essencialmente fantásticas no entretenimento, no esporte ou, com demasiada frequência, no crime. Entrementes, os partidários do Primeiro-Ministro David Cameron localizados na City podem ter se aproveitado de pacotes de resgate vindos do Banco da Inglaterra, ao passo que desapareceram as oportunidades de ascensão social, ainda que modesta, para a maioria das demais pessoas.

A grande noção britânica da ideia de trabalhar duro e ser bem sucedido com base na determinação pura — ideia que está inculcada nas antigas colônias do Reino Unido, como os EUA — foi, em larga medida, desvalorizada. Dick Hobbs, especialista da Escola de Economia de Londres, diz que esta desmoralização atingiu de forma mais específica os londrinos brancos. Muitos imigrantes prosperaram trabalhando com engenharia e construção civil e também na prestação de serviços às elites endinheiradas da capital.
Hobbs, um nativo da East London, sustenta que o ambiente industrial tinha grandes vantagens, a despeito de suas deficiências. Ele tinha foco principal na produção e recompensava a acumulação de competências. Por outro lado, de acordo com algumas estimativas, a “indústria do ‘pub and club’” tem sido a maior fonte de geração de empregos no setor privado da Londres pós-industrial, um fenômeno ainda mais presente em regiões menos prósperas. “Há regiões de Londres onde os pubs são a única atividade econômica”, observa.

Hobbs afirma que a atual cultura “pub and club”, com seu “potencial violento e ênfase deliberada no aspecto físico da existência”, não faz mais que celebrar o consumo até, não raro, ao ponto do excesso. Talvez não seja surpresa que os saques tenham impelido o caos.

Qual é a lição a se extrair disto? Os ideólogos não parecem ter as respostas. A repressão aos criminosos — resposta preferida pela direita britânica — é necessária mas não aborda os problemas fundamentais do desemprego e da desvalorização do trabalho. De modo similar, a panaceia favorita da esquerda, a ressurreição do Estado de Bem-Estar Social, deixa de atacar a questão central da redução das oportunidades de progressão na escala social. Há agora pelo menos 1 milhão de jovens desempregados no Reino Unido, mais do que em que qualquer outro momento em uma geração, e a pobreza infantil na Londres interior, mesmo durante o regime do ex-prefeito Kenneth Livingstone, o “Ken Vermelho”, na década passada, permaneceu nos 50% e pode muito bem estar pior do que isto agora.

Esta questão fundamental de classe não está presente apenas na Grã-Bretanha. Tem havido várias irrupções de violência urbana, inclusive na França e na Grécia. Pode-se esperar mais ocorrências em países como Itália, Espanha e Portugal, que agora terão de impor a mesma espécie de medidas de austeridade adotadas em Londres pelo governo Cameron.

E quanto aos Estados Unidos? Muitas das mesmas forças estão em ação aqui. O desemprego juvenil atualmente passa de 20%; em Washington, está acima dos 50%. Entre as cidades particularmente vulneráveis estão Los Angeles e Nova Iorque, as quais estão cada vez mais divididas entre ricos e pobres. Cortes em programas sociais, embora necessários, podem tornar as coisas piores, tanto para as minorias de classe média que conduzem estes programas quanto para os pobres pelos quais são responsáveis.
Um possível prenúncio desta desordem, nota o autor Walter Russell Mead, pode ser o recente aumento da criminalidade ocasional, não raro de matiz racial, em cidades como Chicago, Milwaukee e Filadé

De qualquer modo, com mais de 14 milhões de desempregados no país, as perspectivas não são exatamente promissoras para as classes baixa e média dos EUA. Esta dor é sentida em toda parte, sobretudo por trabalhadores mais jovens. Segundo uma pesquisa da Pew Research, cerca de 2 em cada 5 americanos estão desempregados ou fora da força de trabalho, a maior proporção em três décadas.

Perspectivas limitadas — aquilo que muitos especialistas saúdam como o “novo normal” — agora defrontam ampla parcela da população. Um indício: a expectativa de ganhar mais dinheiro no ano que vem caiu para o menor nível em 25 anos. Os salários vem caindo não apenas para os trabalhadores com ensino médio, mas também para aqueles com ensino superior. Mais de 43% dos brancos sem educação universitária se queixam de que estão descendo na escala social.

Diante disto, é difícil ver outra tendência no ressentimento de classe nos EUA que não seja a de crescer ao longo dos anos. O presidente do banco central, Ben Bernanke, afirmou ainda em 2007 que ele estava preocupado com o aumento da desigualdade no país, mas as suas políticas simpáticas a Wall Street e às corporações não lograram melhoram a economia cotidiana.

As probabilidades de um maior conflito de classes são grandes mesmo na China, onde a desigualdade social está entre as mais graves do mundo. Não chega a surpreender o resultado de uma pesquisa realizada pela Academia de Ciências Sociais de Zhejiang: 96% dos entrevistados “tem ressentimento contra os ricos”. Enquanto nos EUA membros do Tea Party e esquerdistas deploram o capitalismo de conspiração do regime Bush-Obama-Bernanke, o proletariado e a classe média chineses enfrentam uma classe dominante hegemônica composta de funcionários públicos e capitalistas ricos. O fato de que isto se dê sob o pálio de um regime supostamente marxista-leninista é tão irônico quanto obsceno.
Esta guerra de classes em crescimento gera conflitos políticos mais intensos. À direita, o Tea Party — assim como pequenos partidos de protesto europeus ora em ascensão em paragens tão improváveis quanto a Finlândia, a Suécia e a Holanda — cresce sobre a convicção de que a estrutura de poder, as corporações e o governo trabalham juntas para prejudicar a grande classe média. A militância de esquerda tem também um viés de classe, uma vez que os progressistas vão sendo alienados pelas políticas aristocráticas da administração Obama

Vários são os conservadores — nos EUA como no resto do mundo — que rejeitam o imenso papel das classes. Para eles, riqueza e pobreza ainda refletem níveis de virtude, e as barreiras à ascensão social são apenas um inibidor leve. Contudo, a sociedade moderna não pode se conduzir de acordo com o credo individualista de Ayn Rand; para serem críveis e socialmente sustentáveis, sistemas econômicos precisam dar resultados para a ampla maioria dos cidadãos. Se o capitalismo não puder fazer isso, é de se esperar mais episódios de violência e maior alienação política — não só na Grã-Bretanha mas em todos os principais países do globo, inclusive os EUA.
tradução de Alexandre da Rocha, no blog do Lotsemann
John Kotkin, para a revista “Forbes”
Endereço: http://www.forbes.com/sites/joelkotkin/2011/08/15/u-k-riots-global-class-war/

domingo, 14 de agosto de 2011

Mais de 500 são detidos no Chile em manifestação por melhorias na educação

Desobedecendo à proibição de protestos do governo chileno, estudantes secundaristas, universitários e professores dos vários níveis escolares voltaram às ruas do Chile nesta quinta-feira (4/8), para pedir melhoras no sistema educacional.
As manifestações, consideradas ilegais pelo governo, foram duramente repreendidas pelas forças policiais. De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, 552 pessoas foram detidas (sendo 284 na capital do país). Para analistas, a manifestação de quinta-feira foi a mais violenta dos últimos três meses, desde o início do movimento estudantil, em maio.
No final do mês de julho, a agência de notícias Adital esteve em Santiago, onde pôde acompanhar um pouco da fervescência estudantil e docente pelo qual passa o país. Também conversou com Valentina Quiróga, uma das fundadoras e encarregada de Políticas Educativas do Movimento Educação 2020. Confira abaixo trechos da entrevista.

Adital – Como surge o Movimento Educação 2020? Pode falar um pouco de sua trajetória?

Valentina Quiróga– O Movimento nasce em setembro de 2008 e busca impulsionar políticas públicas que mudem a cara da nossa educação e daqui a 20 anos contemos com uma educação de qualidade, com equidade para todos. Ele surge por alunos da Faculdade de Engenharia de estudantes da Universidade do Chile e Universidade Católica.
A partir de então, vários companheiros começaram a pensar que algo havia de ser feito e esse algo significou começar a ir aos meios de comunicação, e se no dia 1 éramos 20 pessoas, no dia 5 éramos 10 mil. O Movimento cresceu devido, também, a exposição midiática, e convocou cada dia mais e mais pessoas, chegando a ser em um mês 30 mil pessoas. Em conjunto a isso, nos convidaram a conversar em diversos cenários. Convidaram-nos o Ministério da Educação e a Comissão de Educação da Câmara de Deputados. Finalmente nossas propostas não foram consideradas e isso convocou ainda mais gente.
Já levamos cerca de um ano e meio sendo Fundação. Agora somos cerca de 70 mil aderentes e é um Movimento que evoluiu e já passamos por distintas etapas.

Adital – Que balanço faz, hoje, do Movimento?

Valentina Quiróga – No começo, por exemplo, teve um rechaço por parte dos professores porque a maioria dos professores no Chile é parte deste grêmio, pensaram que nossas propostas iam contra seu trabalho.
Atualmente este movimento está muito consolidado. Nós temos presença permanente no Congresso, toda semana vamos ao Congresso, estamos em conhecimento com tudo relacionado à educação no Congresso. Temos uma pessoa, um advogado com muita experiência que já trabalhou no Congresso, e que é convidado para todas as sessões. Também temos conversas permanentes com o Ministério de Educação.

Adital – Que avaliação fazem do alcance do Movimento?

Valentina Quiróga– A razão pelo qual o Movimento ganhou tanta força tem a ver com o movimento de 2006 [Movimento dos Pinguins] porque antes desta época o tema era importante, mas não era o assunto mais importante, não era o assunto que mais preocupava as pessoas, em geral, a percepção das pessoas no Chile é de que a educação não é problema.
Em termos gerais, Chile avançou muito, mas acontece que as pessoas com pouco recurso vêem que seus filhos vão a um colégio onde ganham alimentação, esta participação escolar é importante para eles porque assim as crianças e jovens não andam na rua, com autorisco de se drogarem.
Mas o tema não é se a criança esta aprendendo ou não. Para eles o fato de as crianças estarem sendo assistidas pelo colégio significava que estava melhor a educação. Portanto, justamente quando olhava as pesquisas o nível de satisfação com a educação era inversamente proporcional ao nível de recursos das famílias.
As famílias que mais recursos tinham no Chile, neste momento, eram as que mais criticavam a educação e as famílias com menos recursos eram as que se encontravam mais satisfeitas com a educação.

Adital – Você pode falar de como se deu o processo educacional no Chile?

Valentina Quiróga– Em 2006 surge o Movimento de secundaristas e finalmente significou a queda da ministra de Educação no governo da presidenta [Michelle] Bachellet, e se firma um acordo entre todos os setores. Esse acordo se materializava na Lei Geral da Educação (LEGE), que se supunha que ia revogar a Lei Orgânica Constitucional de Ensino (LOCE), que era a Lei que se firmou durante a ditadura e ainda era vigente no ano de 2006.
Além disso, com essa lei se fixa a função de legislar sobre mais dois temas: um sobre criar uma superintendência e uma agência de qualidade; e outra lei que mude a institucionalidade da educação pública.
Originalmente estes dois projetos de lei deviam ser parte da LEGE, mas nestes dois projetos de lei havia temas ideológicos que dividiam muito o Congresso e para poder definir algo rápido na educação se decidiu separar em três projetos de Lei. Finalmente se firma rapidamente a LEGE, mas como se deixou de lado dois temas das demandas dos estudantes, a lei não significou muito.
Então chegamos a 2011, se acaba de aprovar uma nova lei, que está em seu último trâmite no Congresso, depois de cinco anos. E esta lei ainda não foi apresentada. Este governo, devido a um projeto de lei que apresentou em janeiro, finalmente teve de se comprometer a apresentar este projeto em setembro deste ano. Quero dizer com isto que os estudantes realizaram as maiores manifestações que se havia visto em 2006, e estamos em 2011 e ainda não aconteceu nada.
O tema que vemos agora tem um pouco a ver com este, em 2006 se fez um grande esforço e não se conseguiu nada. Quase todo este debate se baseia na educação escolar, mas agora também se somou o tema da educação superior, e que é muito mais complexo. Chile tem uma das educações superiores mais caras do mundo, então é uma questão altamente sensível.

Adital – As mobilizações que ocorrem atualmente no Chile são expressivas. O que mudou?

Valentina Quiróga– As mobilizações atuais não somente se centram na educação, ainda que seja parte fundamental das reivindicações sociais que o povo exige. De um lado está o tema da educação secundarista, de outro está a massificação da educação superior. Além disso, se somam outros temas como as minorias sexuais, o cobre, o salário mínimo, então a razão do porquê das marchas terem adquirido tanto poder, já que somaram gente como não se via desde os anos 90.
É um tema que vai mais além da educação, é um tema de uma sociedade que reclama uma qualidade de vida, de um país desenvolvido, mas que tem recursos de um país de baixa renda. Isso também impulsionou que o povo se mobilize ainda mais.
Educação 2020 pôs um custo político, de curto prazo, para os temas de longo prazo, porque nós estamos atentos a tudo que se passa relativo à educação e isso nos deu muito poder. Temos gerado um modelo de participação cidadã em torno do tema da educação.
Nosso trabalho se centra na pressão pela mudança de políticas públicas em nível de autoridades e atores implicados, mas também mobilizando e empoderando a cidadania para que exijam a mudança.

Com informações da Adital e da Agência Brasil
Fotos - Adital e Federaración de Estudiantes Universidad de Chile 

 Fonte: ADUNEB


quarta-feira, 20 de julho de 2011

MST reúne mil jovens no 10º encontro estadual de jovens no Ceará

O MST e a Universidade Federal do Ceará (UFC)realizam o 10º Encontro Estadual de Jovens do Campo. O lema da atividade é “Dez anos de lutas, formação e organização da juventude”. O encontro acontece entre 21 a 25 de julho no ginásio Paulo Sarasate. No 25, será realizado um ato público em comemoração ao dia do trabalhador rural.
A atividade contará com a presença de 1.000 jovens do MST, Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), indígenas, quilombolas, além de movimentos sociais da cidade, como Central de Movimentos Populares (CMP), Pastoral da Juventude (PJ) e  Movimento dos Conselhos Populares (MCP).
O curso para os jovens do MST é um projeto da Pró-Reitoria de Extensão da UFC, organizado pelo Núcleo de Estudo de Gênero, Idade e Família, do Departamento de Economia Doméstica, e pelo Laboratório de Estudos Agrários e Territoriais, do Departamento de Geografia e do MST.
Pela manhã, estão previstas palestras e mesas redondas. Nas tardes, os participantes se dividem em 30 oficinas com temáticas variadas. No período da noite, acontecerão apresentações culturais que resgatam a cultura do povo cearense, com apresentações de grupos vindos de assentamentos e de Fortaleza. O MST vai celebrar os 30 anos do Jornal Sem Terra, com mística e exposições, além de contar com uma exposição sobre os 140 anos da Comuna de Paris.
Após a solenidade de abertura, acontecerá uma palestra com o integrante da Coordenação Nacional do MST, Jaime Amorim, e com o professor Aécio de Oliveira, da UFC, sobre a realidade agrária brasileira e desafios e perspectivas da juventude no Nordeste.
Para a professora doutora Celecina Maria de Veras Sales, do Departamento de Economia Doméstica da UFC, “o evento é muito importante, porque cria uma oportunidade para promover a formação de jovens do campo, a partir das discussões a cerca das problemáticas, econômicas, históricas, sociais e culturais que afetam a zona rural do Ceará”.
Durante a tarde do dia 24, a juventude fará um debate em torno das suas necessidades, a falta de políticas públicas, questões econômicas e a falta de acesso aos bens culturais, fazendo um levantamento de suas demandas para entregarem ao coordenador de juventude do governo do estado.

Por MST
Marcelo Matos

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Assembleia Universitária fortalece unidade entre professores, estudantes e técnicos

No dia 04 de julho, professores, estudantes e técnicos da UNEB se reuniram em Assembleia Geral Universitária (AGU) para discutir o calendário acadêmico da UNEB. Há mais de 05 anos, segundo professores antigos da casa, não acontecia uma assembleia que reunisse os três segmentos universitários de toda a UNEB para debater os problemas da Universidade. Para a diretoria da ADUNEB, esse foi um momento histórico, resultado do processo de luta que mobilizou toda a comunidade acadêmica contra o Decreto 12.583/11 durante a greve docente.

A Assembleia aconteceu após a realização de plenárias estudantis, nos dias 20 e 27 de junho, nas quais os discentes elaboraram uma proposta de calendário para o semestre 2011.1 e 2011.2.  A AGU, portanto, teve o objetivo de discutir a proposta dos estudantes e a proposta da PROGRAD de reformulação do calendário acadêmico após a greve docente. Na ocasião, foi reafirmado o direito de greve como um importante instrumento de luta dos professores, alunos e técnicos. Além disso, apesar das divergências na construção do novo calendário, professores, estudantes e técnicos defenderam a necessidade de construir uma luta unificada para garantir um calendário que respeite o mínimo dos 100 dias letivos e que não prejudique a qualidade do ensino.  

Foram apresentadas quatro propostas de calendário: duas da PROGRAD e duas dos estudantes. Dentre essas propostas, as duas elaboradas pela PROGRAD e uma dos estudantes já estavam circulando nos departamentos desde o dia 28 de junho, através de memorando da Pró-Reitoria; A outra proposta discente, de autoria dos estudantes do campus IV (jacobina), foi apresentada durante a AGU.

A ADUNEB não elaborou nenhum calendário, seguindo o encaminhamento da assembleia que decidiu o fim da greve. Nessa assembléia, os docentes aprovaram apenas os princípios que deveriam ser seguidos, a exemplo dos 100 dias letivos, entendendo que a elaboração do calendário docente não  é competência do sindicato.
Entre os pontos debatidos na AGU, os mais polêmicos disseram respeito à situação do semestre 2011.2 e às férias. No que diz respeito ao semestre 2011.2, uma parte da plenária defendeu que ele seja cancelado, considerando que essa seria a melhor forma de normalizar o calendário da UNEB. Para este setor, o semestre 2011.1 seria finalizado em outubro, e nos meses de novembro e dezembro seriam realizados cursos de férias, atividades de extensão, seminários etc. Em 01 de fevereiro de 2012 seria iniciado o semestre 2012.1

Aqueles que defendem o início do semestre 2011.2 neste ano acreditam que, entre outras coisas, o adiamento poderá atrasar ainda mais o calendário e prejudicar o ingresso dos novos alunos. Uma proposta de mediação surgiu durante a assembleia, quando se apontou a possibilidade de construir um calendário específico e provisório para os novos alunos, garantido seu ingresso na Universidade.

Quanto às férias, uma parte da plenária discordou que elas ocorram no mês de janeiro, caso o semestre 2011.2 seja iniciado ainda este ano. Para os defensores dessa proposta, a interrupção do semestre em andamento prejudica a qualidade de Ensino. Por outro lado, existem aqueles que acham inviável ter aulas no mês de janeiro, uma vez que os transportes cedidos pelos municípios, que garantem a ida dos alunos à Universidade no interior, não estão disponíveis no período.

Após uma ampla e rica discussão, os segmentos universitários avaliaram a importância de aprofundar esse debate nos departamentos, destacando a pluralidade de pontos de vista apreciados na AGU. Neste sentido, encaminharam a realização de reuniões nos departamentos com os três segmentos universitários para debater o tema e tirar o posicionamento do campus até o dia 08 de julho. No dia 13 de julho, às 09h, no Teatro UNEB, haverá uma nova AGU para discutir o posicionamento dos departamentos e tentar unificar uma proposta dos três segmentos. Contudo, a deliberação final sobre o calendário estará a cargo do Conselho Universitário (Consu) da instituição, que se reunirá no próximo dia 27. A Assembleia Universitária do dia 13 será transmitida por videoconferência para todos os departamentos e poderá ser assistida através do link mms://aovivo.uneb.br/aduneb

Por Aduneb

Os trabalhadores assentados e acampados organizados no MST participam das lutas do Dia Nacional de Mobilização

A principal reivindicação é a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução dos salários. Entre outros pontos, estão defesa do trabalho decente e contra a terceirização, o fim do fator previdenciário, 10% do PIB brasileiro para a educação, alimentação saudável e Reforma Agrária.
“Essas lutas são importantes porque demonstram que o atual modelo não está correspondendo às necessidades dos trabalhadores. Cada vez mais propicia maior acumulação de riquezas nas mãos de poucos, principalmente de empresas estrangeiras e de multinacionais”, afirma Jaime Amorim, da Coordenação Nacional do MST.
A jornada pretende também abrir uma discussão sobre a alimentação do povo brasileiro, no contexto da crise alimentar e ambiental internacional. "Não basta produzir qualquer alimento, tem que produzir alimento saudável, tanto para os que produzem quanto para os que consomem", afirma o dirigente do MST.
Jaime faz uma análise dessa atividade e aponta a importância da unificação da luta da classe trabalhadora. “Precisamos recolocar em todos os espaços a questão da Reforma Agrária, que é importante para resolver os principais problemas que afetam o conjunto da população”, aponta.

Abaixo, leia os principais trechos da entrevista da Página do MST com Jaime Amorim.

Qual a importância da jornada convocada pela CUT para a luta da classe trabalhadora do campo e da cidade?

É fundamental nesse processo de refluxo da luta social no Brasil a construção da unidade. A construção da unidade é fundamental para que possamos pensar, inclusive, nos próximos passos na luta dos trabalhadores, tanto dos trabalhadores urbanos quanto dos trabalhadores rurais. Essa mobilização é uma finalização da construção da unidade da luta.
Em segundo lugar, essas lutas são importantes porque demonstram que o atual modelo não está correspondendo às necessidades dos trabalhadores. Cada vez mais propicia maior acumulação de riquezas nas mãos de poucos, principalmente de empresas estrangeiras e de multinacionais. Por outro lado, os trabalhadores demonstram que não estão satisfeitos e que estão dispostos a se mobilizarem e continuarem lutando.

Por que o MST vai participar da jornada das lutas do dia 6 de julho?

Desde o início do MST, sempre consideramos importante a articulação com outros trabalhadores. A CUT sempre foi um parceiro muito importante e determinante na luta de classe no Brasil. Essa predisposição da CUT, de voltar a mobilizar, de fazer lutas conjuntas, é muito importante. Entre os nossos objetivos, faz parte fazer aliança com os operários, com os servidores públicos e com todos aqueles que lutam. Esse é o objetivo e a motivação principal que faz com que estejamos juntos nessa mobilização.

Como o MST deve se somar nessas atividades do movimento sindical? Que tipo de ações serão realizadas?

Estamos planejando as atividades em conjunto com a CUT em diversos estados, mas o mais importante nesse momento é que nos somemos às atividades que estão sendo planejadas em todos os estados. Aqui em Pernambuco estamos preparando a mobilização com a CUT e vamos participar conjuntamente dessas atividades.
É claro que os municípios, as áreas e as regionais que também puderem fazer mobilizações nas suas regiões também o façam, pois se soma no processo. O mais importante é que a questão da Reforma Agrária será colocada em torno das atividades que serão realizadas nesse período.

Como o movimento avalia a pauta dessa jornada, que trata do tema da redução da jornada de trabalho e do trabalho decente?

Há questões na luta de classes que unificam todas as categorias e todas as classes dos trabalhadores. A redução da jornada de trabalho é uma das questões fundamentais. Primeiro, porque se insere diretamente no campo quando a juventude, a população do campo, os que vivem nas periferias das cidades, estão em busca de trabalho.
Ou seja, o primeiro ponto que unifica é a redução para as 40 horas semanais. Isso é importante dentro do processo da luta dos trabalhadores. Isso aos poucos nos permite construir várias pautas em conjunto, como por exemplo, essa questão ambiental no Brasil e no mundo, que é uma das pautas que fará com que as lutas também busquem unidade.
Outras questões vão surgindo na própria luta de classes, no dia a dia e nas mobilizações, serão pontos importantes que dizem respeito à questão do campo, à cidade, aos estudantes. Enfim, onde estiverem pessoas que sofrem algum tipo de discriminação, algum tipo de escravização, estaremos com a bandeira da luta dos trabalhadores, da luta pela liberdade, pela igualdade, como militantes e soldados da luta de classes.

Qual a importância disso para os trabalhadores do campo? Quais seriam as pautas que o movimento do campo pode agregar a essas lutas?

É fundamental nesse processo que em todos os momentos coloquemos a questão da Reforma Agrária. Tanto o governo quanto burguesia têm deixado a Reforma Agrária num plano bastante inferior. Mesmo no projeto de combate à miséria que a presidenta Dilma instituiu, a Reforma Agrária não está colocada. Precisamos recolocar em todos os espaços a questão da Reforma Agrária, que é importante para resolver os principais problemas que afetam o conjunto da população.
A questão da produção de alimentos e a questão ambiental. Cada vez mais vemos catástrofes, enchentes, seca, chuvas de granizo, terremoto... Isso é conseqüência de todo o período que estamos vivendo, chamado da “Revolução Verde” no campo, que tem causado danos fundamentais. Agora a natureza apresenta suas conseqüências. É necessário que isso seja discutido. A Reforma Agrária é importante, sendo fundamental tanto na questão da produção de alimentos quanto na questão de resolver os problemas ambientais, que vem afetando cada vez mais a população do mundo inteiro.

Um dos pontos da jornada está ligado à qualidade da alimentação. Por que é importante discutir esse tema com a sociedade?

É bem provável que dentro de pouco tempo - e talvez mais breve do que se espera - o mundo passe por um período de crise alimentar. O que nada mais será do que conseqüência desse modelo instituído, da monocultura agroexportadora, cujo pacote tecnológico determina a produção. Esse modelo não dá mais conta de responder algumas questões que são importantes, sobretudo, para o futuro da humanidade. A primeira é a produção de alimentos.
Mas não basta produzir qualquer alimento, tem que produzir alimento saudável, tanto para os que produzem quanto para os que consomem. Essa produção agrícola não pode ser uma produção ofensiva para o meio ambiente, mas uma produção que efetivamente leve em conta esse vínculo amistoso entre o trabalhador rural e a o meio ambiente. É necessário que se discuta a questão da produção de alimentos no país e no mundo, e a Reforma Agrária está vinculada a isso e a questão da soberania alimentar.

A jornada também defende que 10% do PIB seja destinado à educação...

A educação é um ponto fundamental a ser discutido no país, porque não basta só desenvolver indústria, infraestrutura... Não basta o governo dizer que está criando emprego se não resolve o que é fundamental: elevar o nível de consciência da população. E na luta de classes nós temos que estar preocupados permanentemente com isso, porque esse é um ponto que será determinante nos momentos em que ocorrerem grandes mobilizações, para que o povo esteja preparado efetivamente para tomar a sua posição em relação ao seu destino.
Não será uma classe trabalhadora pobre de cultura que irá definir o seu futuro. É justamente uma classe trabalhadora consciente do que se quer, consciente do que ocorre hoje no processo de exploração, e do que se almeja num modelo no qual os trabalhadores poderão livremente arbitrar sobre seu futuro.

Como a ampliação de recursos para a educação pode contribuir com a educação do campo, especialmente com a formação técnica para a agroecológica?

Agora, a questão dos recursos para a educação, de no mínimo 10%, é fundamental, pois na medida em que as pessoas puderem ter acesso ao conhecimento, à formação técnica, também melhoraremos a qualidade da produção no campo. Imaginamos que se tivéssemos em cada município uma escola de formação técnica voltada na formação de técnicos para o meio rural, preparados para as mudanças da matriz tecnológica, para a produção agroecológica e orgânica, poderíamos fazer a transição desse modelo da monocultura para o modelo agroecológico rapidamente.
Hoje um dos problemas que impedem efetivamente essa transição é exatamente a falta de pesquisa, de assistência técnica e de tecnologia para a pequena agricultura. Os poucos técnicos formados nas universidades e nas escolas técnicas foram preparados para vender venenos agrícolas e serem representantes das empresas produtoras de agrotóxicos, em vez de efetivamente orientar o trabalhador para que produza alimentos sem precisar usar os agrotóxicos. Creio que a luta pela educação é uma luta nossa, dos trabalhadores rurais, do MST, porque apostamos na elevação do nível de consciência, de conhecimento como um instrumento fundamental para fazer mudanças profundas na sociedade.

O Movimento vem fazendo a avaliação de que só será possível fazer a disputa de pauta políticas da sociedade se houver unidade da classe trabalhadora. No entanto, essa jornada terá a participação de apenas parte do movimento sindical. Como construir a unidade nas próximas jornadas?
Temos que ter em mente que unidade não se constrói administrativamente, ou burocraticamente, somente porque desejamos. Vamos construir a unidade no processo de luta, na medida em que vamos nos organizando e ampliando. Acredito que a pauta está bem montada e a partir dela devemos construir e ampliar para as outras centrais sindicais e movimentos sociais. Apesar dessa jornada ainda não ter integrado todas as centrais sindicais, é um passo importante para que aos poucos possamos unificar e construir uma unidade que possa ser a mais ampla possível, que represente todas as categorias e toda a classe trabalhadora.

De que maneira a classe trabalhadora da cidade pode contribuir com a luta dos movimentos  do campo e vice-versa?

Costumamos sempre dizer que a Reforma Agrária ocorrerá no dia em que nós, trabalhadores do campo, tivermos clara a importância dela para o desenvolvimento do país e estivermos dispostos a lutar, ao mesmo tempo em que os trabalhadores da cidade, os operários, os servidores públicos, desempregados compreenderem que essa não é uma mudança para resolver apenas os problemas dos pobres sem terra, mas parte de um projeto de desenvolvimento de país. E que esse projeto de desenvolvimento também interessa às cidades, porque gerará trabalho, emprego no campo, mas principalmente porque iremos produzir alimentos saudáveis e mais baratos.
Afinal de contas, são menos pessoas saindo do campo e menos pessoas disputando os poucos empregos que têm nas cidades. Na medida em que a Reforma Agrária for realizada, acreditamos na possibilidade de se viver harmonicamente campo e cidade. Por isso, é tarefa nossa fazer com que os trabalhadores da cidade busquem a compreensão da importância da Reforma Agrária para o conjunto da sociedade. Essa talvez seja a tarefa mais importante nesse momento em que a sociedade está desmobilizada, com o capital determinado as regras. Neste momento, temos que construir uma consciência de que a Reforma Agrária é importante para o desenvolvimento do país.
Por mst.org

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Assembleia aprova assinatura do Acordo

Na tarde de terça (14), reunidos em assembleia, os professores deliberaram, por ampla maioria, pela assinatura do Acordo Salarial de Incorporação da CET e do Termo de Compromisso sobre o Decreto 12.583/11, apresentados pelo Governo no último dia 10/06. A categoria aprovou também a continuidade da greve até a assinatura do Acordo, uma vez que a categoria não confia no Governo que poderá apresentar, amanhã, no momento do desfecho das negociações, uma nova proposta. A reunião de assinatura do documento será nesta quarta, às 10 h. Haverá uma nova assembleia dos professores nesta quinta, às 13:30 h, no Departamento de Educação, para avaliar a saída da greve (veja abaixo o Edital).

O Acordo Salarial prevê a incorporação de mais de 50% da CET até outubro de 2012 e a reabertura da Mesa Setorial em 08 de janeiro para negociação do restante das parcelas. O Termo de Compromisso estabelece uma primeira reunião para discutir soluções sobre o Decreto 12.483/11 com a presença do Fórum dos Reitores, Fórum das 12 (professores, estudantes e técnicos) e de representantes da SAEB, da SEC e da SERIN. Haverá reuniões bimestrais para dar continuidade às discussões, com possibilidade de realização de reuniões extraordinárias.

Tais documentos foram resultados de mobilizações e ações do movimento grevista, da radicalização com a ocupação da ALBA e das negociações com o governo, nas quais o comando de greve da UNEB sempre tensionou para avançar nas conquistas. Apesar do Governo afirmar, categoricamente, que não discutiria o Decreto, o movimento sempre rebateu que o contingenciamento de verbas para as UEBA era pauta fundamental do movimento e que também deveria pautar as negociações. Fruto deste tensionamento, o governo foi obrigado a apresentar um Termo de Compromisso sobre o Decreto. Além disso, problemas enfrentados pelos professores, como implantação dos processos de promoção, progressão e mudança de Regime de Trabalho, vividos há mais de dois anos sem solução, foram assumidos pelo governo como problemas que serão resolvidos imediatamente.

Para a maioria da assembleia, a proposta que será assinada não é a ideal, mas a possível, fruto de uma greve vitoriosa. Segundo a categoria, a luta não se iniciou e não se encerrou com o movimento paredista deflagrado no dia 26 de abril. As mobilizações devem continuar, pois outros problemas ainda existem no Ensino Superior Público. Destacou-se também a importância da unidade do movimento entre as ADs, técnicos e estudantes. Considerou-se a unificação da luta foi fundamental para o avanço do movimento ao longo da greve.

Por Aduneb

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Em negociação, Comando de Greve da UNEB tensiona para ampliar conquistas

Em mais uma Mesa Setorial com representantes do Governo, o comando de greve da UNEB, em conjunto com as demais ADs, tensionou para que o Governo recuasse nas negociações e o movimento arrancasse mais vitórias.

Segundo os representantes da ADUNEB na Mesa Setorial, a reunião foi tensa e em alguns momentos paralisada para que o Governo e o movimento docente pudessem analisar as propostas internamente. O Governo agendou uma primeira reunião para discutir soluções sobre o Decreto 12.483/11. Se assim acordado, a primeira ocorrerá no dia 20 de junho e contará com a presença do Fórum dos Reitores, Fórum das 12 (professores, estudantes e técnicos) e de representantes da SAEB, da SEC e da SERIN. Além disso, o Governo alterou sua proposta de reuniões trimestrais sobre o Decreto para reuniões bimestrais, sem prejuízo da realização de reuniões extraordinárias.

O Governo também retirou, no item 2 do Termo de Compromisso sobre o Decreto, a vaga expressão “Definição do modelo de encaminhamentos” em relação ao encaminhamento dos processos de promoção, progressão e mudança de regime de Trabalho, conforme solicitação do Movimento Docente. O texto foi substituído por “tramitação dos processos de afastamento para pós-graduação, progressão, promoção e mudança de regime de trabalho dos docentes com início e conclusão no âmbito de cada universidade”.  Ao propor essa redação, o movimento docente reafirmou a necessidade de cumprimento do Estatuto do Magistério Superior que estabelece a tramitação desses processos sem qualquer ingerência do Governo.

A partir das discussões na Mesa Setorial, o Governo enviou por email, a proposta oficializada que deverá ser analisada pela categoria nas suas respectivas assembleias. A Assembleia Geral da UNEB ocorrerá na próxima terça-feira (14/06), às 13:30, no teatro UNEB. A depender das indicações das Assembleias sobre a nova proposta, o Governo se prontificou a assinar o Acordo na quarta-feira (15/06).

Por aduneb

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Assembleia aprova, por unanimidade, manutenção da greve

Reunidos em assembleia geral na manhã e tarde de quarta-feira (08/06), os professores deliberaram pela manutenção da greve por tempo indeterminado. A aprovação foi por unanimidade. Na ocasião, avaliou-se que as negociações, reabertas nesta segunda,  não chegaram ao fim, pois há problemas na nova proposta do Governo (veja aqui as duas propostas, uma referente ao Acordo Salarial e outra ao Decreto 12.583/11). A categoria destacou que a radicalização do movimento, ao ocupar a Assembleia Legislativa, foi acertada e que o recuo do Governo, ao retomar as negociações, foi resultado dessa ação.

O Governo dividiu a pauta do movimento (incorporação da CET e discussão do decreto 12.583/11) em dois documentos. Em relação ao Acordo salarial, o governo oficializou a proposta discutida na Mesa Setorial de Negociação do dia 06, necessitando, segundo a assembleia, de algumas modificações. Para a categoria, o Governo precisa deixar claro, no Termo de Acordo, que o Projeto de Lei de Incorporação da CET deverá ser enviado à Assembleia Legislativa imediatamente após a assinatura do Acordo. Outra condição para fechar a negociação em relação à CET é retirar o item 4 do texto que se refere aos salários suspensos. De acordo com os professores, o pagamento dos salários está garantido pelo Supremo Tribunal Federal e, portanto, não deve constar como item de negociação.


Na proposta sobre o Decreto, no entanto, permanece, em muitos pontos, a intransigência do Governo. Em primeiro lugar, o documento é denominado de Termo de Compromisso e não Termo de Acordo. Em segundo lugar, continua a condicionar o início da discussão sobre os impactos do Decreto nas Universidades Estaduais ao final da greve e propõe apenas reuniões trimensais.

A assembleia deliberou que a ADUNEB leve para a Mesa de Negociação a mudança na denominação do Termo, bem como a exigência de que as reuniões deverão ser mensais e que tenham o papel não só de discutir, mas também de definir soluções em relação aos impactos do Decreto.  A categoria deliberou que no artigo referente aos processos de promoção e progressão sejam acrescidos os processos de Mudança de Regime de Trabalho, destacando que todos eles deverão tramitar unicamente no âmbito de cada UEBA e que sejam implantados em folha imediatamente após o seu deferimento, sem qualquer ingerência do Governo. A autonomia das Universidades em relação à tramitação desses processos é garantida pelo Estatuto do Magistério Superior, mas o Governo tem desrespeitado reiteradamente este direito.

Haverá uma reunião com o Governo hoje sexta-feira (10). Nesta reunião, o movimento levará a contraproposta para avaliação. Em assembleia, os professores da UEFS, UESB e UESC também mantiveram a Greve.

Por aduneb

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Professores, estudantes e servidores das UEBA ocupam a Assembleia Legislativa


Na manhã de, 31 de maio, professores, estudantes e servidores das quatro Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) ocuparam a galeria dos ex - Presidentes da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) para exigir a retomada das negociações, suspensas pelo governo na última mesa setorial do dia 27 de maio. Mais de 400 pessoas participam da mobilização.
Caravanas dos diversos campi da UNEB, como o de Jacobina, Irecê, Eunápolis, Teixeira de Freitas, Itaberaba, Serrinha, Conceição do Coité, Caetité, entre outros, participaram da ocupação por tempo indeterminado.

fonte: ADUNEB

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Moção da CUT-BA manifesta solidariedade aos docentes das Universidades Públicas Estaduais

Of. Pres. 047/2011
Salvador, 24 de maio de 2011.


Palácio do Governo da Bahia
Excelentíssimo Senhor Jacques Wagner
M.D. Governador do Estado da Bahia

 
Excelentíssimo Senhor,

 
A Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT-BA) vem, por meio deste segundo ofício, manifestar solidariedade aos e às docentes das Universidades Públicas Estaduais e, ao mesmo tempo, solicitar de Vossa Excelência empenho pela retomada das mesas de negociação entre as entidades sindicais e o governo estadual, bem como solicitar o pagamento imediato dos salários dos e das trabalhadores/as em campanha salarial, na justa e digna defesa dos seus direitos.

Embora as entidades sindicais que representam os professores e as professoras das Universidades Estaduais não sejam filiadas à CUT, existe nesta categoria um grupo de docentes e demais trabalhadores/as que se orientam pela concepção sindical CUTista e demandaram da nossa Central a participação no fortalecimento da campanha salarial e intermediação deste conflito, considerando que:

1. A suspensão do salário dos e das docentes em campanha salarial é uma prática antissindical e que não condiz com o projeto democrático inaugurado pelo atual Governo do Estado da Bahia em 2003 e que foi reeleito por 63% dos votos da população baiana, em 2010, com a significativa e expressiva participação da militância que defende o princípio da liberdade e autonomia sindical;

2. O ponto 1 do Termo de Acordo do Magistério Superior, datado de 14 de dezembro de 2010, atende uma reivindicação antiga dos professores e das professoras das Universidades Estaduais da Bahia pela incorporação da Gratificação por Condições Especiais de Trabalho(CET), representando avanço concreto e inédito na valorização do salário-base desta categoria;

3. Conforme reivindicação dos/as trabalhadores/as em campanha salarial, a CUT-BA solicita a retirada da cláusula 2 do Termo supracitado, a fim de avançar na resolução dos conflitos. Desta forma, no cumprimento do seu papel histórico na defesa dos direitos da classe trabalhadora, a CUT-BA reforça a importância do cumprimento do acordo salarial por parte do Governo do Estado da Bahia, na perspectiva da valorização do magistério superior da rede pública estadual.

No mais, aguardamos retorno de Vossa Excelência acerca do posicionamento expresso nestedocumento pela CUT-BA.

Atenciosamente,




Governo acorda uma proposta na Mesa de Negociação e apresenta outra, além de ameaçar encerrar as negociações. Adufs convoca assembléia para segunda (30)

Em mais uma tentativa de sair do impasse criado pelo governo, os professores das quatro universidades baianas, em greve há cinqüenta dias, apresentaram ao governo uma nova proposta de redação da cláusula do Termo de Acordo salarial na qual aceitam o parcelamento da incorporação da CET, mas rejeitam sua vigência por quatro anos, congelando seus salários neste período. Nesta reunião, ocorrida ontem (25) na SEC, os docentes também sinalizaram a possibilidade de diminuição deste período, mas os representantes do governo preferiram acatar uma nova proposta de redação. Quanto à revogação do Decreto 12583/11, o outro ponto da pauta, o governo continuou irredutível e apenas se comprometeu a realizar reuniões, após o fim da greve, para discutir os seus efeitos sobre as Universidades.
 
Diante disso, os docentes solicitaram que o governo formalizasse a proposta para que ela pudesse ser apreciada pela categoria. Qual não foi a surpresa ao receberem-na com outra redação, na qual retorna o impedimento de novos reajustes salariais nos próximos quatro anos. Para a categoria, este comportamento desonesto do governo só atrapalha as negociações. Além disso, demonstra, de forma cabal, sua má vontade em avançar rumo à superação do impasse. A expectativa dos professores, agora, é que o governo reconheça que esta estratégia só dificulta as negociações e, na próxima reunião, marcada para sexta (27), não as encerre, como ameaça em seu documento.
 
Nesta sexta (27), os professores da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) farão uma manifestação em frente à Diretoria Regional de Educação (DIREC 02), na Avenida Presidente Dutra, às 09h30, para alertar a população para o descaso do governo para com a greve nas UEBA.
 
Na UEFS, acontecerá uma assembléia na próxima segunda (30), às 14 horas, no Anfiteatro, quando serão avaliados os novos encaminhamentos da greve. Para o Comando de Greve, o governo precisa rever a sua posição, pois é inaceitável que ele continue tratando o movimento com tanto desrespeito. Tal atitude só reforça a percepção dos professores de que ele não dá a devida importância à Educação Superior, sob a sua responsabilidade, deixando-os ainda mais indignados e dispostos a continuar a luta. Lembram que, péssimos salários e ataque aos direitos conquistados não podem ser aceitos passivamente.
 
Sobre o Decreto, se comprometer a discutir sua execução na Universidade, após a greve, como propõe o governo, significa esperar a aceitação, por parte da comunidade acadêmica, da interferência indevida dele na vida universitária, inclusive afrontando a Constituição Federal e Estadual, que prevêem a autonomia universitária.
 
Segundo o coordenador do Fórum das ADs, Gean Santana, “Essa já é a quarta proposta de alteração do texto por parte do governo que mantém o caráter restritivo da cláusula. Mais uma vez demonstramos que queremos resolver o problema quando fazemos propostas na Mesa de Negociação. Agora cabe ao governo se dispor de verdade a resolver o impasse”, ressalta.
 
Para Otto Agra, diretor da Adufs, “o que se configura, neste momento, é a necessidade do governo manter a negociação, agilizando a apresentação de uma proposta que não restrinja por quatro anos a possibilidade de novos acordos salariais, além de garantir que os direitos dos docentes e a execução orçamentária das UEBA não sofrerão nenhum tipo de interferência do governo”.

Site:
www.adufs-ba.org.br
Twitter: @Adufs
Facebook: Adufs Seção Sindical

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ainda em greve movimento apresenta proposta de negociação ao Governo

Em mais uma rodada de negociação com o governo na tarde de 23 de maio o movimento docente unificado apresentou uma proposta de negociação em relação às duas pautas de reivindicação da categoria: fechamento da campanha salarial 2010 sem a condição do congelamento dos salários por 04 anos e a abertura das negociações sobre o decreto 12.583/11.
A proposta segue os princípios fundamentais estabelecidos pela Assembleia Geral dos professores da UNEB, dos quais o movimento unebiano não abre mão na Mesa de negociação: a categoria não aceita qualquer termo que amordace o movimento e defende como elemento essencial da pauta de reivindicação a abertura imediata das negociações sobre o Decreto 12.583/11.No dia 25 de maio (quarta-feira), às 10h, na SEC, haverá uma nova rodada de negociação e o governo apresentará sua resposta.

Fonte: ADUNEB

Ato no Iguatemi mostra força do movimento grevista


Na tarde da última sexta-feira, 20 de maio, professores, estudantes e servidores das Universidades Estaduais Baianas realizaram um ato no Iguatemi para explicar à população baiana os reais motivos da greve dos professores. O Arraiá das UEBA, temática do ato, teve como objetivo denunciar a instransigência do governo em relação à pauta de reivindicação da categoria, bem como desmentir as últimas declarações dos representantes do governo sobre o movimento grevista.
O Ato unificado demonstrou a força do movimento! Em clima junino, a manifestação contou com animação de um trio de forró, alimentos típicos do São João, vestimento a caráter e banana em referência à campanha dos servidores técnicos “Bananada”.
Fonte: ADUNEB